IX

Uma vez conheci um rapaz que mijava solenemente em cada árvore que encontrava. Aparência de outro modo meio tola e desajeitada, quando se aproximava de uma árvore, retirando lentamente o chapéu como a pedir licença, todo o seu corpo se endireitava, e o seu rosto adquiria uma concentração de quem se encontra de joelhos a rezar numa capela.

Isto aconteceu durante uma curta estadia minha lá para os lados da Guarda, onde as árvores são abundantes e a imaginação, como a bexiga, não conhece limites.  Finalmente, num acesso de coragem muito pouco característica da minha parte, perguntei-lhe a razão daquele comportamento. A resposta foi a que se segue:

“A terra ao girar produz um som característico. Quem durante uma qualquer noite nunca ouviu este som, deve virar o olhar para cima e dar graças aos céus por nunca assim, pelos ouvidos, ter sido irremediavelmente esmagado. Repara. Tu. No modo como a folha amarelada se desprega da árvore que parece, agora, nunca verdadeiramente a ter sustentado, e se deixa, inerte, levar pela corrente da ribeira ou do vento, até que lentamente se afunda, numa curva, onde a infindável torrente do mundo, condescendente, por vezes abranda. Senta-te, nem por isso abrandando, e observa como algum vento e água depois, uma nova folha verde aparece no espaço deixado pela outra, apenas para lhe suceder no fundo do rio ou da terra. O meu mijo, de quem foge da água, dá uma pequena, mas eficaz contribuição para que não mais se caia na humilhação de ter de pedir ao mundo condescendência, para que numa qualquer curva nos possamos finalmente quedar. O meu mijo mata a árvore. O meu mijo para o tempo. Quem na escuridão da noite nunca ouviu o som da terra a girar, deve virar-se para o céu e dar graças. No caso de o fazer é melhor ter cuidado com as graças, porque o céu também se move, e o sítio para onde se apontam pode não ser o mesmo onde elas vão parar. O melhor talvez seja fazer como na caça, dar um desconto e apontar mais para a frente. Ou nem sequer apontar, fechar os olhos e disparar; assim no mesmo momento em que ouve pela primeira vez o mundo, acaba logo com ele.”

Não percebi. Disse que sim e pirei-me dali.

VIII

No outro dia, numa daquelas manhãs húmidas de Sintra, houve um velho de outro tempo que passou pela rua. Vinha de preto, casaca comprida e comida pelo atrito dos anos.

O atrito dos anos é uma expressão optimista, agora bastam segundos para que uma casaca se perca para sempre numa história que já não existe.

Tinha o rosto enrugado e amarelo torrado, coberto por uma penugem russa que lhe cobria quase toda a cara, e à volta do olho um vinco profundo e redondo, como se tivesse passado toda a vida a espreitar por um monóculo, no entanto hei-lo agora a passar pela rua ainda meio nublada da manhã.

O gatilho quando tocado ao de leve, como que a sondar a pressão exacta do disparo, resiste, e a arma parece fundir-se numa só peça pesada e inteira. O gatilho, quando finalmente premido não oferece resistência, e a arma desvanece-se na bala que desaparece não se sabe bem onde; procura-la é procurar por um culpado quando a culpa já se encontra eliminada.

Mais uma vez, como desde sempre, a terra foi invadida pelo cheiro a queimado das lareiras dos homens. O velho seguiu caminho até à praça da igreja, parou de fronte para o templo e cheirou um pouco de rapé que retirou de uma minúscula caixa de marfim que tinha no bolso da casaca, passada essa oração seguiu caminho e desapareceu na neblina matinal. Aquela neblina que agora é só água gasosa que percorre as ruas e não trás mais do que verdete às paredes.

VII

Sentado à secretária, no final de uma noite longa, de frente para o papel ainda vazio, o criador dá um breve suspiro: “É isto… não é isto?”

Debruça-se sobre a folha em branco e rabisca qualquer coisa sobre uma fada. O quadrado circular não existe em nenhum mundo possível. E assim se cria o mundo… Um quadrado circular é um quadrado a girar sobre o seu centro; trata-se no fundo da revolta da geometria, do espancamento da lógica sem qualquer razão. Fixar o quadrado circular é contemplar o mundo.

“Dias etéreos…”

Acrescenta mais qualquer coisa, contorce-se um pouco na cadeira e solta uma leve bufa, que lentamente, como um dia que clareia, envolve todo o quarto e segue caminho. É este o material da criação.

VI

O ultimato tinha sido claro, restavam-lhe agora cerca de trinta minutos para que o primeiro comboio abandonasse a cidade. O ultimato tinha sido claro, tinha de lá estar. São cinco e meia da madrugada. Pensou que se tivesse movido de uma outra forma, talvez não se teria dado a ver. Qual terá sido o gesto ou a palavra que deitou tudo a perder? São cinco e meia, o comboio parte às seis. Preparou-se calmamente durante toda a noite, afinal ainda havia tempo. Tirou os pequenos resquícios de sujidade debaixo das unhas, barbeou-se com calma e lentidão, para que nenhum pêlo ficasse esquecido para trás. Acabara agora de lavar cuidadosamente os pés. Não fez malas, tudo o que tinha em casa deveria lá ficar, menos ele. Ele deveria partir no primeiro comboio da manhã, eram essas as condições do ultimato. Se ao menos não se tivesse deixado apanhar. O dia começava a clarear, aos poucos as formas coloridas iam aparecendo no horizonte. Ainda havia tempo para passar pelo pontão, despedir-se da praia como se faz no último dia de férias. Desceu as escadinhas estreitas da falésia e avançou lentamente pelo asfalto coberto de areia trazida pelo vento, até se sentar à beira do pontão. Ela apareceu pouco depois, foi uma sorte incrível, pensou, que a trouxe naquele instante àquele local. A baleia emergiu, soltando um repuxo de água, no preciso instante em que se sentou, aquele corpo imenso, quase todo submerso, reflectia os primeiros raios de luz. Acendeu um cigarro. “Não se trata de um momento mágico” pensou, “nada do que vejo tem outro significado para além do que vejo. A baleia que há pouco estava imersa, esta agora aqui quase inteira à minha frente, e eu pela primeira vez vejo-a e vejo a carne”.A baleia afundou-se por segundos e voltou à superfície soltando o mesmo jacto de água, avançou uns metros e voltou a desaparecer, desta vez definitivamente. O dia estava agora completamente lá e era belo, a água estava ainda enegrecida pelo sol oblíquo, por toda a praia multiplicavam-se as longuíssimas sombras dos pequenos pedregulhos, a brisa silenciosa da manhã acariciava a areia ainda húmida da maré alta. O pontão estava vazio.

V

Um minuto da sua atenção se me permite. Disse-lhe ontem que os bilhetes de avião para as Caraíbas se encontram esgotados não é verdade? Pois de facto ainda estão, passa-se o mesmo com os voos para o Brasil… se me permite aconselho-o a pensar noutro meio de transporte… deixe-me ver… disse que queria ir para qualquer lado, certo? Pois, de facto todos os meios de transporte se encontram esgotados, até mesmo os comboios que já não serviam para nada. As chegadas ainda se dão com alguma tranquilidade, apesar de tudo… as pessoas quando chegam fazem uma barulheira infernal. Vê, há que encarar as coisas com alguma calma e sentido de humor, se estivesse noutro lado e quisesse chegar aqui, talvez tivesse mais sorte.

É preciso mantermo-nos atentos a este ecrã está a ver? Assim que houver alguma desistência envio-o logo para qualquer lado. Ainda ontem estive aqui com uma senhora que estava na sua situação, às tantas tentou desistir da viagem, tento voltar a casa. Só depois se apercebeu que já era tarde, que já não ia a tempo de apanhar o metro e que portanto seria perigoso regressar àquela hora. Acabou por pernoitar naqueles sofás além. Se aqueles sofás falassem… Noutro dia sentou-se lá um ministro, ou melhor, não era bem ministro, mas dizia que tinha estado ligado a isso, entretanto não sei o que se passou, acabou o meu turno está a ver? Fui para casa. A senhora foi agora à casa de banho, mas já não vou envia-la, gosto mais de si, tem mais presença percebe?

Não percebe… mas não faz mal, teria de vir para este lado e ver, mas como é óbvio não o posso deixar. Diga-me, porquê a insistência inicial em países tropicais? Se se tivesse convencido mais cedo de que de facto o destino não interessa, provavelmente já estaria a caminho de qualquer lado, agora já é um pouco tarde… não é que me incomode estar aqui a falar consigo, só que me custa vê-lo assim, sinceramente. Sempre temos um coração não é verdade?

Olhe! Falando no mal, cá está, acabadinho de se apresentar no ecrã, Canárias que lhe parece? Óptimo não é verdade? Vai poder finalmente ter o seu descanso, não diga é nada à mulher que foi à casa de banho, já só me faltava era ter aqui algum escândalo. Ora bem, o meio de transporte é o barco, gosta? Óptimo, a viagem será algo demorada mas bastante confortável garanto-lhe. Peço-lhe apenas que esteja no cais número três às… oh não… parece que houve um engano, peço-lhe desculpa, mas este barco já zarpou, deve ter sido um engano da gerência… como apareceu aqui no ecrã pensei que… peço desculpa, às vezes parece que estão a gozar com uma pessoa. Mas fique, não se vá embora, certamente arranjaremos algo a seu gosto, espere só mais um pouco…

IV

Anda lá… tenho o jornal, sempre temos o jornal, podes lê-lo. Estás perdida? Perdida? Não acredito… Cheguei agora, desculpa se não acredito… cheguei agora, desculpa se não acredito; esperei por ti horas a fio, convém que… não convém nada, já me habituei. Tenho o hábito de beber, e bebo. É algo que me acompanha, sabes? Segue-me onde quer que esteja, pego no copo, dou um golo, e sinto aquilo descer até às entranhas. Depois vou sentindo cada vez menos, sabes, tenho esperança que… e tu? Não queres o jornal?Parece que há coisas que se passam no mundo… és bonita… e depois põem-nas no jornal, contam histórias. Aqui mesmo assim ainda se contam histórias. Estás a ouvir? Percebes? Histórias…

Uma vez ia no eléctrico e um velho contou-me uma história, o quê?… Já não me lembro dela, mas era linda. Nunca mais andei de eléctrico. Diz que isto da bebida é como as horas, diz que mata… não me olhes assim… não ligues… Sabes isso da morte é tudo mentira, o pessoal anda a enganar-nos… percebes? Mentem. A morte era antes, como o amor, agora que o amor acabou também já não pode haver morte. Resta-nos aquele sabor amargo que por vezes nos enche o corpo e a boca naquelas manhãs difíceis. Ao menos isso… contemos com isso… isso sim (é o amor que com o tempo se tornou azedo), é o que agora vale… aquilo… a pena. Não ligues hoje não estou bem, sabes que isto é… isto está cheio de luz e dói abrir os olhos para isto. Percebes? Percebes o que quero dizer? Faz um esforço… talvez também devesses beber. Não percebes…. Ocorre-me agora que de facto é difícil que percebas, mesmo bebendo ninguém percebe, eu no fundo também não. Riste? Sim, de facto tem a sua piada.

Olha-me nos olhos, são castanhos vês? Vês? Uma vez engravidei, nasceu morto, fora isso teria sido uma criança perfeita, nem parecia que estava morta, gordinho… tinha os olhos semicerrados… já bebia nessa altura, olhos semicerrados, talvez tenha sido por isso, não sei. Percebes? Olhos semicerrados. Temos de ir ao norte, o pão, o vinho, as putas… lembras-te? Eu já não me lembro de grande coisa, é isso que me confere dignidade. Temos de ir.

III

Hoje fui chamado ao patrão. Não o conhecia, nunca o tinha visto… Deram-me a ordem já ao final da tarde, quando me preparava para abandonar a secretária vazia, a meio do corredor, que me serve de posto de trabalho.

“O Senhor Doutor quer falar-lhe.”

Foda-se, logo hoje que não tinha feito a barba… ajeitei-me o melhor que pude e lá subi, meio a tremer, os três longos lances de escada que levam ao último andar. Amanhã deixo de fumar. Ao fundo do esguio corredor – sempre gostei de casas com corredores – estava a secretária do Senhor Doutor, uma moça meio barbuda que empilhava freneticamente ficheiros.

“Boa tarde, o Senhor Doutor mandou chamar-me…”

“Deve com certeza ser engano, o Senhor Doutor não recebe ninguém hoje”

E apontando para a porta fechada do gabinete continuou:

“…de certeza que era hoje?”

Sim, foi hoje, disso não pode haver dúvida, logo hoje que não tinha feito a barba…

“Espere, isso vê-se já, tenho aqui o seu ficheiro…”

Também tenho um ficheiro… já me tinham falado disso os que já estiveram cá em cima… um ficheiro.

“Ah, agora percebo… O Senhor Doutor provavelmente queria dizer-lhe que o seu trabalho está fraco, não está a corresponder com aquilo que são os objectivos desta empresa… não apresenta resultados está a ver?”

“Mas senhora repare; sou o trabalhador mais antigo desta instituição, e nunca me disseram o que fazer… limito-me a esperar que sejam horas de sair, aliás com o devido respeito lhe digo que nunca vi um tostão…”

“Ah, mas quanto a isso esteja descansado, o seu ordenado é cuidadosamente depositado, todos os meses, numa conta à parte. Ser-lhe-à entregue, como contratado, no dia em que nos deixar.”

Comecei a suar, contrato? Nunca vi nenhum contrato… merda… assinei papéis e não me lembro, a verdade é que quando entrei para aqui ainda andava um pouco desorientado… depois do que se passou é normal….

“Volte para a semana, pode ser que tenha mais sorte, sabe, o Senhor Doutor é um homem muito ocupado, e agora mais ainda com toda a corrupção que anda por aí, é preciso estar atento, e manter tudo na linha.Volte para a semana, até lá tente fazer alguma coisa, veja os seus colegas, como são empreendedores. Vá, volte para a semana, talvez possamos fazer algo por si”

Hoje embebedo-me, amanhã deixo de fumar.

II

Cerca de dois anos antes do fim… não… a semana passada estava eu… não, também não foi há dois dias… a memória com o passar do tempo funde-se com ele, torna-se escorregadia. Uma pasta irredutível de tempo e memória. Uma vida própria… independente.

Tem, agora evidentemente, muito que ver com a barata que percorre livremente todos os cantos da casa. Caminha freneticamente e sem destino sobre livros, fotografias e restos do almoço. Até que, num dia feliz, ao cruzar-se connosco, descontraidamente porque outra virá, é esmagada.

Enfim… já nem sei se era eu que lá estava… nesse dia… porém a imagem aparece-me agora completamente nítida.

Estava eu sentado num banco de jardim, daqueles amontoados de merda de pombo, que não eram maus de todo, diga-se. Estava eu sentado num banco de jardim, distraidamente divertido por uma escavação, mesmo à minha frente, cujo fim desconhecia. A dada altura, ou melhor, na altura precisa em que começa a memória, um dos trabalhadores desenterrou aquilo que, de uma forma tácita, todos concordamos ser uma lista telefónica. Devidamente enegrecida pelo tempo, emanava um terrível cheiro adocicado, que imediatamente reconheci como familiar, mas que ainda hoje não sou capaz de identificar a origem. Diga-se que com o tempo fui deixando de ser capaz de muita coisa, e já nem acredito que alguma tenha sido.

Avante… num daqueles momentos tristemente democráticos, um dos trabalhadores foi eleito para, empoleirando-se no banco de onde fui obrigado a levantar-me, ler para a audiência que motivada pela estranha descoberta se foi ali aninhando, todos os nomes da lista.

À medida que a leitura avançava, interrompida aqui e ali pelos pequenos borrões de terra que perturbavam a nitidez do texto, cada nome, que pela boca do trolha ressoava naquele ar de fim de tarde, era nítido e terrivelmente transparente, até ao ponto do meu cérebro ser invadido por imagens de toda a vida, por tudo aquilo que cada um daqueles nomes ouviu, disse e sentiu.

Cada nome que caia em mim, sempre com aquele cheiro adocicado, desvendava-me a vida de quem o tinha tido. O pânico gerou-se, é muita gente, merda! Não conseguia respirar, já não sabia, nem sequer sabia se o meu coração se conteria no peito, não sabia, não queria saber, não queria ir, não queria ver! Merda! Estava a estorricar por dentro, cada nome queimava qualquer coisa, e o cheiro!

Abri caminho à pancada… eu que nunca pesei mais de quarenta quilos abri caminho à pancada para fora dali. Os outros continuaram na mesma posição, era o único naquele estado. Invadido pelo pânico corri rua abaixo, subi a muralha da cidade, e aí me deixei ficar (voltado para fora como é evidente).

Foi a última vez que corri ou andei, e ainda hoje estou – estou? – na murada (não sei bem se é uma muralha…).

Hoje, durante os meus vários afazeres diários, lembrei-me – eu? – da lista telefónica… não sei bem porquê.

I

Mais um café!… Atentemos ao presente… façamos um esforço… merda.
Um passeio, isso, demos um passeio, pelo mundo, pelo país – sejamos francos! – pela mesa do lado. Agora, é quando podemos. Agora, vamos descobrir a que corresponde este fim, qual o seu rosto. Viveremos, agora que todo acabou, como quem faz um desenho, levemente, sem pressa sobre uma toalha de papel.

Lá está ele… sempre o mesmo… o homem da mesa do lado. Cabelo negro, meio oleoso, e um rosto, como todos os outros rostos, amarelado, permanentemente marcado por uma brilhante, e aparentemente indelével, marca de suor. Os olhos do homem da mesa do lado não são visíveis, são apagados pela sua aparência disforme que – sejamos francos! – sugere a presença de minúsculas pragas que lhe infestam o corpo. É este o seu rosto.

Sejamos francos! Estamos fartos! É cansativa a mesa do lado, pesada, algo escura, e sobretudo malcheirosa. Estamos cansados, curiosamente nenhuma outra mesa se encontra ocupada, convém referir que afinal de contas isto já fechou… não há mais nada onde repousar a vista… façamos um esforço. O homem da mesa ao lado está à espera, pelo menos foi o que uma vez disse, em tom de confidência, ao empregado: “ando a ver se me pagam o que devem…”. Foi a única vez que o ouvimos falar. Aparentemente trabalhou… nunca recebeu… se receber não terá dias diferentes. Não deve ser muito, nunca deve ter feito grande coisa.

Que hora ingrata para esperar por dinheiro… o homem da mesa do lado, no entanto, ainda espera. Parece que hão de vir acertar contas. Num sítio tão sujo e monótono como este, nunca ninguém aparecerá para acertar contas, disso, nos dias que correram todos para aqui, estamos certos… resta-nos o calor fétido que emana o homem da mesa do lado, à falta de melhor esperamos com ele.