Escrever III

A primeira parte é sentarmo-nos em sossegada solidão, o tempo vazio como a folha branca, onde se escreve, o melhor que se pode, o que se vai encontrando pelos miolos.

A imagem é a da fonte, para não variar. A experiência constrói caminhos, barragens, aquedutos, por vezes até cidades, de maneira a aproveitar o caudal. A não experiência deixa a fonte como está.

A segunda parte, última mas nem por isso o fim, é a do confronto com o problema até altura ignorado. Caso se assuma a responsabilidade. Só se assume a responsabilidade quando se descobre o desejo – nunca a necessidade – do trabalho em cima do tempo. Refazer a pente fino o texto, desemaranhar, lentamente como se faz ao cabelo, as letras mais aglomeradas. Rescrita e leitura até ser só releitura, e depois escrita na folha do lado. Reiniciar o processo circular até ao círculo perfeito. E depois parar, para não rasgar ou queimar o papel com a caneta às voltas já sem tinta.

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