Notícia cinco

Hoje, um grupo de pessoas subiu uma rua inteira, levavam cartazes contra o racismo, fascismo, machismo, e como sobravam cartazes sem nome, ainda acrescentaram mais uma ou duas coisas acabadas em “ismo” que não destoassem do conjunto. No final da rua largaram os cartazes e foram beber um copo.

Um dos manifestantes quis citar um comediante americano famoso, pois parecia-lhe ser apropriada ao contexto, mas antes sentiu-se na obrigação de explicar às senhoras quem era o comediante. Não explicou aos senhores pois assumiu não ser necessário.

Pediram todos uma cerveja, o empregado que os serviu era preto e tinha sotaque angolano. Todos repararam. O manifestante que costumava fazer imitações de sotaques africanos, para seu divertimento e de quem se entretivesse com este tipo de humor, desta vez achou por bem não o fazer. 

Depois instalou-se uma pequena desordem, afinal qual era a melhor marca de cerveja? Cada um disse a sua, apresentando argumentos, uns mais imaginativos, outros mais agarrados aos factos. Não houve grande luta, afinal cada um podia ficar com a sua.

Mas quando foi para decidir onde se ia a seguir. Ai é que foi! Tentaram o método democrático, mas não funcionou. A minoria tinha muita força, mas não a suficiente para arrastar os outros para onde quer que fosse. Estavam perigosamente perto do ponto de ruptura.

As acusações que sabiam poder atirar contra os outros, para destruir as suas ideias e fazer prevalecer as próprias, corriam livremente pelas mentes de cada um deles.

Associavam preconceitos ao destino escolhido pelo outro, e depois ao outro pessoalmente. Até que um se excedeu “ou vamos para cima, ou não se vai a lado nenhum!” Um deles teve de agarrar pelo “f” o “fascista” que queria sair lançado pela boca em resposta ao ultimato. Enfim, uma enorme desgraça para aquele grupo de pessoas.

Acabaram por partir o grupo em dois, para ser mais fácil. Depois disto, cada sub-grupo partiu com um ódio especial pelo outro sub-grupo. Mas como tinham bons corações, cultivados com boas doses de tolerância e amor, acabaram por perdoar, e ao perdoar, inesperadamente o ódio transformou-se em saudade.

Moralidade desta notícia – Não te metas na vida alheia se não queres lá ficar.

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