Pensar no plano

Puxo pelo meu corpo que parece querer desligar-se do sistema nervoso central. Abano-me por precaução. Nunca desmaiei. Todo este tempo que passou, e nunca desmaiei. Sempre que perdi os sentidos foi quase que premeditado. Digo quase porque já estive exausto, e já houve noites que bebi muito, muito mesmo. Algumas destas épicas bebedeiras quase me derrubaram, mas fui forte e resisti a todas, até hoje. Tenciono beber mais algumas noites, mas arrisco dizer que o perigo de desmaio já passou. Se não foi até hoje, também já não vai ser. Até porque todo aquele álcool que bebi, todo aquele etanol em excesso que forcei pela garganta a baixo para enorme surpresa deste pobre organismo, tirou-me a vontade de beber, aquela vontade que tinha quando era jovem.

Já não sou jovem claro está. Aquilo que ingerimos define o que somos.  Agora estou sentado e dói-me a cabeça, arrependo-me dos litros de bebidas espirituosas bebidos na companhia de outros, ou sozinho. Não me arrependo de todos os litros, alguns souberam bem demais para deixar hoje espaço a arrependimentos. Nestas noites espero até ser hora de me deitar. Tenho a bíblia a meu lado, é grande demais para uma leitura confortável no sofá. Ler a bíblia requer uma certa mudança de atitude. Se é que me faço entender. Hoje estou muito cansado para estas coisas. O que me sossega é ainda ter um plano. O plano é frágil, não se aguenta muito tempo de pé, mas tal como eu, não desmaia. Só que cai, está sempre a cair. Não é resistente ao tempo, sabem como é. Assim que surge, cai no tempo e depois é vê-lo numa luta para se levantar. Eu ajudo-o o melhor que posso, mas tanto eu como ele sabemos que o melhor é ir pensado noutro plano, com pés e uma cabeça que não provoque desequilíbrios.

Era preciso um plano que não caísse no tempo. Um que ficasse para sempre no mesmo instante. Todos os planos que faço prometem alcançar este feito. Alguns juro, ficam colados ao infinito, que é aquele instante. Mas acabam sempre por cair. Não por desmaio. Acho que é a força da gravidade. Quando bebia muito também tropeçava e chegava mesmo a cair, devido lá está, à gravidade. Até hoje nunca me fez desmaiar, mas já me deu vertigens.

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