Manifesto de intenções para este lado

Se alguém tem um ponto de vista, acerca de qualquer assunto, custa-me acreditar que consiga também ter o outro. Não duvido que exista um outro ponto de vista que se oponha precisamente ao primeiro. Falo da magia do número dois. Ou mais de um. Uma e outra coisa. Por isso quando aqui se encontrar transcritas conversas entre duas ou mais pessoas (nada de monólogos, tudo o que for monólogos de qualquer espécie vai para a outra página) são mesmo conversas entre duas ou mais pessoas. E não o autor a ter uma crise de esquizofrenia. Garanto-vos que nunca tive uma crise de esquizofrenia.

As conversas são entre pessoas distintas, indivíduos possuidores do um corpo, e como tal todos os direitos sociais que a lhe estão associados. Os nomes porém podem não corresponder aos verdadeiros. Refiro-me aos que constam no bilhete de cidadão. Nem todos são cidadãos, devo dizer. Alguns não o são, mas aqui tenta-se que não haja descriminações, como de resto em qualquer sítio.

Haverá sempre, em todas as conversas, uma parte que será inventada, por mim, como não podia deixar de ser.  Refiro-me ao contexto. Porque o contexto real é muito aborrecido. Se não vejam. Eu convido as pessoas a vir cá a casa (ou irei ter com elas, não existe uma regra fixa, é daquelas coisas que à medida que se avança vai-se descobrindo o que se está realmente a fazer) elas chegam, falam e depois, só depois, eu escrevo o que se passou. Assim sem mais nem menos. Não podia ser, até alguém sem qualquer experiência sabe que não ia resultar. Sempre que escrever, seja o que for, o contexto sou eu que invento. Já que não posso inventar as conversas, devido à impossibilidade que acredito existir e que referi no inicio deste texto (a de uma única pessoa possuir dois pontos de vista) ao menos que seja livre para pintar o fundo da coisa.

Isto podia ser feito em podcast, ou mesmo em video. Só não é porque acredito (sou um Homem cheio de crenças como já devem ter reparado) que as câmaras de filmar tiram a alma às pessoas. O que me interessa é a alma (aqui neste lado, no outro lado tenho outros interesses). Se as filmar fico com conversas de corpos humanos sobre observação. Isto nunca interessou a ninguém. Lembram-se? Antes da tecnologia, lembram-se do que interessava? Gravar em audio apresenta o mesmo problema. Não quero que as pessoas sequer desconfiam das minhas intenções de recordar as suas palavras. Nem apontamentos vou tirar, terei de confiar na minha memória. É o preço a pagar. Não é grave, acabamos sempre por ficar dependentes da memória.

O melhor era nem estar presente, mas se assim fosse era como se não tivesse acontecido. Eu não consigo escrever o que não aconteceu. Terá de haver alguma observação, mínima. Acredito que com o tempo até se esqueçam que eu lá estou. Acredito que com o tempo vou desaparecer. Só assim se pode garantir totalmente a liberdade. Entretanto ficam estas conversas.

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