Limpeza do disco

Começar pela maior. Esta parte é para o lixo de certeza, nem preciso de perceber ou tentar lembrar-me porque tenho esta tralha toda em volta da cabeça a bloquear a passagem. Desculpe se faz favor. Sim claro, não tem problema. Não posso porque tenho uma razão para não poder, a razão existe e é bastante boa até. Tão boa que nem se coloca a questão do querer. Mesmo se quisesse não é. É esta a frase que vem depois. Mas não posso. Porque é que faço o que faço? Ora porque a verdade é que. Tenho razões para fazer desta maneira e não de outra, deixa-me cá explicar. É importante explicar para os outros perceberem. Os outros perceberem é quase tão importante como eu perceber. Até altero o que estou a fazer se a alteração tornar as coisas mais perceptíveis para os outros. Se não perceberem porque só trabalhei seis horas hoje em vez de oito, o melhor é trabalhar onze. Assim eles percebem, trabalhou onze porque teve de ser. Há trabalho, tem de ser feito. Se não perceberem porque faço isto em vez daquilo o melhor é fazer aquilo. Afinal os outros não são estúpidos. Estúpido sou eu que ainda não comecei a fazer outra coisa que já devia até ter terminado por esta altura. As razões são tudo. Afinal os outros são descendentes de Platão. Não se enganam nestas coisas, são irrefutáveis os seus argumentos. Cada um faz por si, e se eu conseguir isto para mim está feito, e é justo se mais ninguém conseguir, porque eu consegui, se eu consegui porque é que o outro não há-de poder conseguir também. Ninguém é mais do que ninguém. E eu trabalhei muito por isto. É justo. Falamos de justiça, e eu cá estou para dizer quando estiver a ser vítima de injustiça, por agora está tudo bem, mas se me virem a resmungar, é porque estamos perante uma qualquer injustiça, e eu não me calo enquanto não me derem aquilo a que tenho direito. Depois calo-me, porque isto aqui é cada um por si. Quem não chora não mama. Se isto serve para os bebes serve também para a vida adulta. É lógico, não fossemos nós descendentes de Aristóteles. Muita sorte têm os outros, da vida que têm. Se tivessem a minha é que iam ver. Não é para quem quer é para quem pode. É por isso que eu tenho de chamar filho a este e filho aquele, para perceberem o meu lugar, para percebem onde é que eu estou. Eu não sou uma criança, eu cuido delas porque isto a malta é que não sabe fazer as coisas. E quem não chora não mama, filho. E dou exemplos concretos, eu não falo só por falar, seu de certas e determinadas coisas e circunstancias. Eles não querem é fazer nada. Encostam-se está-se mesmo a ver. A mim só não me calha é o Euromilhões. Se me calhasse o Euromilhões. Aí é que iam ver. Aí é que eu não fazia mais nada.

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